Sábado na Vila Olímpia
= Carros entupindo os quarteirões triangulares.
= Fila imensa na porta, de onde se observam os carros entupindo a rua.
= Menininhas de cabelo chapado, micro-saia (cinto) jeans e escarpim. O cinto apertado e o salto muito alto resultam em atentado à elegância e atestado de mau gosto.
= Meninos uniformizados. As camisetas justas substituíram as camisas listradas e as mangas arregaçadas de outrora. O gel pode ter dado lugar à pomada ou à cera, mas o cabelo espetado permanece clássico.
= Os respectivos causando para celebrar a recém-maioridade.
O que eu estava fazendo lá? Aniversário de uma amiga, que já estava dentro da balada. Enquanto isso o povo conversava na fila, dividindo espaço com as tiazinhas vendendo cigarro e chiclete e ao som do batidão estourado de um ou outro motorista exibido.
E eis que antes mesmo dos convidados passarem pela breve revista e abertura de bolsas, a aniversariante resolve sair do local. Que absurdo! R$7,00 por uma cerveja?! Ué, mas não estamos na Vila Olímpia?
Surge o dilema: para onde vamos agora? Pensei nos 10 reais deixados no estacionamento (dor no coração). Mas infelizmente a balada era a última da rua e estava bem distante das outras, sobretudo considerando-se a variável ESSDBCC (Equilíbrio Sobre o Salto Desviando dos Buracos da Calçada no Escuro), que para mim se tornou indispensável desde o episódio devidamente registrado em post anterior.
O propósito das tripulantes do Vivi-Móvel - dançar a noite toda - permanecia inabalável. Resolvemos ir até Pinheiros na tentativa de entrar em local X ou até mesmo ficar em outro pelo caminho. Mais dois carros decidiram tomar o mesmo rumo. Celulares incompetentes e pequeno desencontro e reencontro depois, chegamos à Rua dos Pinheiros. Demos de cara com um canteiro de obras e no fim paramos em lugar nenhum.
Nova conferência: o Corsa prata sugere irmos para Perdizes e assume a liderança do comboio. No caminho quase bati o carro e dei uma fechada federal num cara (que até agora deve estar xingando a minha bisavó por ter saído de Okinawa), tudo por conta da incapacidade das pessoas em sinalizar à direita ou à esquerda com alguma antecedência.
Finalmente chegamos no tal barzinho. A essas alturas casais já haviam brigado e os motoristas sentiam seus instintos assassinos aflorarem. Enquanto eu estacionava ao lado da lixeira de um prédio vi os companheiros de viagem dando de cara com o garçom informando o encerramento das atividades. Meu zen-budismo já estava em outra galáxia e então baixei o vidro e informei que estava abortando a missão. Juro que se alguém sugerisse qualquer outra coisa, eu atropelava com direito a marcha-ré.
Terminamos a noite na Bella Paulista, a Sra. Bono Vox, a Nova Cidadã Angrense e eu. Uma Bohemia e um colegial de creme e chocolate pra mim, por favor.
Sábado passado foi mais do que broxante: foi o Dia Internacional da Burrice. Como conhecedores do esquemão-Vila Olímpia, devíamos ter ficado onde estávamos, oras! Afinal tínhamos comparecido com o propósito de dançar, e não pra consumir. E depois a batidinha da Pri Lemon promoveria o esquenta na fila mesmo – nos pouparia inclusive as estratégias de contrabando, pois até chegarmos na porta sobrariam só o barato e a garrafa vazia.
É o óbvio ululante absoluto: ninguém merece a Vila Olímpia! E eu já sabia disso há tempos e por experiência própria. Depois desse sábado, nunca mais mesmo.
Eu não piso lá nem que o Marvin Gaye levante do túmulo e escolha uma casa da região para fazer uma única apresentação na América do Sul.
Escrito por Vivian Makia às 03h24
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Óbvio ululante
Inauguraram um motel para cachorros em São Paulo. Espelho no teto, televisão com tela de plasma, cama vermelha em forma de coração.
Uma loucura esse negócio de tratar animais domésticos como se fossem brinquedinhos ou crianças mimadas. Ostentação pura! Os bichos são legais justamente porque são diferentes dos humanos: eles têm personalidade e manias, mas não precisam de frescuras.
Até onde eu saiba as cachorras são regidas pelo cio e não se deixam impressionar pelo quarto que o macho pode pagar.
Televisão com tela de plasma? Os cães curtem filme pornô? Pornografia canina é a mesma que a gente vê na rua em plena luz do dia?
Típica mania de mulher é dizer que os homens não prestam. E, é claro, dizer que eles são todos iguais.
Quando elas proferem tais palavras, pode apostar que se trata de mais um caso de “quem desdenha quer comprar”. Justo o que ela quer levar, não pode. E isso não é exclusividade feminina.
A verdade é que o ser humano não presta. Somos diferentes mesmo, e daí vem toda a confusão e também o encantamento. Essas frases-clichê são mais perigosas do que parecem, pois quase sempre vêm acompanhadas de comportamentos-clichê, dramáticos demais e sensatos de menos.
Meninas, não julguem o todo pela parte. Reclamem do fulano, mas não coloquem todos eles na fogueira. É muito simples: falem com conhecimento de causa. Vocês conhecem todos os homens do mundo?
Se eles são todos iguais e não prestam, é fácil resolver o problema: é só trocar de opção sexual e vocês param de sofrer.
Interesse no Orkut: amigos. Genérico, não? Pois é através da foto na página pessoal é que o usuário especifica qual o tipo de amigo que procura.
No meu caso, colocar a linda foto de um gato no lugar da minha própria figura foi apenas por uma questão de senso crítico (não tinha nenhum retrato que eu achasse legal). Eu gostava da foto e rendia anedotas ótimas.
E eis que gatos de quatro patas começaram a me adicionar e eu decido colocar minha cara no Orkut de novo. Resultado: os scraps de velhos amigos sumidos começaram a se multiplicar. Até meu professor de Física do colegial me adicionou (na certa ele se lembrou também das notas horrorosas e do meu autismo nas aulas dele).
Maravilhosas as comunidades defensoras dos animais! Não tenho nada contra os profiles animais, mas esse negócio de ficar mandando lambibeijos não é comigo.
Filmes, conversas, crises, anedotas, tédio: tudo misturado vira post.
O post é a junção das várias pecinhas de um quebra-cabeças. No meu caso, os pedaços parecem ficar cada vez mais pequenos.
Até parece que eu ia passar sem metáfora barata.
Escrito por Vivian Makia às 05h03
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Na minha ausência, Murilo Mendes passou por aqui:
Poema Espiritual
Eu me sinto um fragmento de Deus
Como sou um resto de raiz
Um pouco das águas dos mares
O braço desgarrado de uma constelação
A matéria pensa por ordem de Deus,
Transforma-se e evolui por ordem de Deus
A matéria variada e bela
É uma das formas visíveis do invisível
Cristo, dos filhos dos homens é o perfeito
Na Igreja há pernas, seios, ventres e cabelos
Em toda parte, até nos altares
Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar
Que se entrelaçam e se casam reproduzindo
Mil versões dos pensamentos divinos
A matéria é forte e absoluta
Sem ela não há poesia.
Escrito por Vivian Makia às 14h21
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Pessimistas e otimistas são simplistas. Se a realidade se traduzisse em todas as cores que existem, eles seriam aqueles que enxergam tonalidades, e não as cores. Eles vêem o claro e o escuro, ou seja, não contemplam as nuances. Nesse sentido, os otimistas e os pessimistas seriam duas faces da mesma moeda que reduz a complexidade a apenas dois lados.
Pessimismo e otimismo possuem a mesma tendência a se distanciarem da realidade. Ambos são formas de defesa.
O pessimista é prudente; em algum momento ele conheceu o lado negro e isso lhe causou impacto. Entretanto, ele tende seriamente a transformar sua experiência em uma espécie de trauma, uma ferida que nunca fecha. Na verdade a ferida dói pra lembrá-lo de não abrir outras - ele aprendeu com a dor, mas não consegue se desprender dela. Em nome da prudência, vai perdendo a capacidade de se submeter às surpresas da vida, justamente por ser defensivo, sempre esperando o pior. Seus olhos se acostumam à escuridão, e quando a luz se acende, ele se assusta e recua antes que a retina se adapte e possa apreciar as cores.
O otimista parece viver anestesiado e assim aprende a contornar o lado negro. Ele teme a escuridão e não desenvolve o tato. Sai à luz do dia e adormece ao raiar do sol, impreterivelmente. É superficial por ter medo de mergulhar e não voltar à tona. Porém, ao contrário do pessimista, sabe identificar as alegrias pequenas, e de suas tramas fará o tapete sob o qual varrerá suas angústias. Assim como os pessimistas, os otimistas se baseiam em experiências, mas guardam somente o que é belo e fingem que o ruim nunca existiu e jamais os afetará.
Vai chegar o momento em que o otimista tropeçará no Everest sob o tapete. Ignorou os problemas que cresceram debaixo de seu nariz, e agora? O pessimista por sua vez não se liberta da dor que o aprisiona e que, como resgate, exige um grande milagre. Não servem as alegrias pequenas, afinal elas são muito pequenas em relação à sua dor incessante. Os dois são excessivamente defensivos e pouco pró-ativos: um só foge, e o outro não sai do lugar.
Ambos são medrosos, e isso é perfeitamente compreensível. Para conhecer as cores da vida é preciso se submeter, mas é evidente que não se pode viver desprovido da experiência e seu efeito construtivo. Mas a construção está sujeita às condições naturais e assim o pessimista resolve morar no abrigo subterrâneo, pois é o lugar mais seguro que existe. O otimista, por sua vez, prefere habitar somente climas agradáveis e se torna eterno turista. O pessimista possui a fortaleza, de onde não sai e onde poucos entram. O otimista não finca alicerces, pois no primeiro relampejar ele levantará acampamento com destino a outro lugar ensolarado.
Nenhum dos dois pode evitar o vazio que cresce a despeito de suas estratégias: conscientemente ou não, o pessimista sente falta dos outros, e o otimista de si mesmo. O pessimista precisa aprender a fechar os olhos e se deixar levar; o otimista precisa abrir os olhos e assumir posições. Assim poderão ultrapassar os limites do claro-escuro para enxergar as nuances. O vazio, por sua vez, é inerente ao ser humano e, como fato, não é remediável (se houvesse solução não seria fato, e sim problema, mas isso já é outra discussão).
Como disse Clarice, viver é incômodo. Mas viver é acima de tudo mágico e a tal da teimosia tem a ver com isso - e assim quem resolve não ser otimista nem pessimista também vai sofrendo as conseqüências. Afinal a realidade contém todas as cores, e cada matiz se revela de modo particular, ofuscando a vista na exuberância florescente ou desafiando o tato na ausência da luz. E a vida é repleta de surpresas boas e desagradáveis, e sobretudo incontroláveis.
Super Marabini - a responsável pelo diálogo que virou post - resumiu brilhantemente essa discussão:
Porque os otimistas, quando da ventania, mudam de lugar.
Os pessimistas maldizem o vento.
E os realistas ajustam as velas.
Escrito por Vivian Makia às 13h59
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Ócio Criativo
Há quanto tempo eu não sabia o que era tempo livre? Precisei até mesmo arrancar minha ética protestante da tomada e impedir o tédio de enfiar seu narizinho onde não foi chamado (tédio de mentira, tolo e automático).
O melhor do mês de julho é ver os amigos que se desencontram na correria das obrigações acadêmicas e profissionais: festas julhinas, baladinhas, aventuras do Vivi-Móvel, encontros na catraca do metrô, clube das Luluzinhas cínicas e sentimentais.
Passeio no shopping, cinema toda semana, livros de madrugada... Guardadas as devidas proporções, voltei aos 16 anos e ultimamente escrevo ouvindo Alanis e Tears for Fears. Minha grande responsabilidade é uma lição de casa que atende pelo nome de TCC e vai bem, obrigada (a passos de tartaruga, mas seguindo em frente). A plata dos freelas me dá uma certa tranqüilidade enquanto não começo a labutar novamente. Não estou falando de grandes fortunas, mas para quem se virava com a bolsa-auxílio do governo municipal está de bom tamanho.
Tenho lido muito. Terminei um Dostoievski em três dias, nem acredito! Depois tomei fôlego num romance espírita água com açúcar e clichê, que terminou antes que eu fizesse perguntas demais.
Aliás, Dostoievski consta na minha lista de sonhos de consumo. Quero levar os demônios, o idiota e os irmãos Karamazov pra morar na grande biblioteca. Na cozinha estará o fogão dos Jetsons e na garagem, a máquina de teletransporte. Os demais itens são um banheiro de pastilhas (só meu), um maine coon, um labrador amarelo e um lindo cavalo árabe.
Me parece razoável começar o projeto pela biblioteca.
Escrito por Vivian Makia às 21h59
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Pequeno exercício para o pequeno pensamento filosófico
Às vezes acho que já fui muito mais sonhadora. Eu continuo sonhando sim, mas hoje guardo os sonhos na estufa – deve ser por um certo medo de que eles se tornem maiores do que eu. Sonho, mas não me iludo. Ilusão é anestesia, é perda de tempo. O sonho é vital.
Às vezes vejo as pessoas tão amargas, pessimistas. O pessimismo anda de mãos dadas com uma coisa medíocre chamada simplismo. Muito fácil dizer que as coisas são ruins ao invés de sentir na pele o mal-estar da certeza de que a realidade é muito complexa pra caber em respostas exatas.
Esse incômodo é inerente à existência, por isso a vida é desafio. O conflito está dentro do coração, no pensamento que absorve as idéias que se cruzam no ar, na alma onde moram a luz e a escuridão. A vida é desafio, ainda mais se é vista através dos olhos da consciência – olhos que nunca se fecham e, fatigados, produzem imagens confusas. Mas existe uma espécie de teimosia que se alimenta dessa anarquia, que tem fascínio e curiosidade por toda essa guerra. Uma insistência, uma curiosidade infantil, que sofre de dor, mas não recua.
Eu sou teimosa e por isso me incomoda tanto quando ouço alguém maldizer a vida. Não, eu não sofri o que você sofreu; não, eu não sei como você está se sentindo. Sim, eu respeito sua amargura, mas não posso deixar de pensar que ela é passageira, porque a vida é mais generosa do que se imagina. A dificuldade é um momento, não é um lugar onde se escolhe morar até que algo de extraordinário aconteça. Maldizer o momento é diferente de maldizer todo o conjunto da vida.
Escrito por Vivian Makia às 00h04
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Lista de tarefas
- Atualizar esse querido blog;
- Organizar os quilos de papéis que carreguei lá da Prefeitura;
- Arrumar o quarto só pra bagunçar tudo de novo;
- Escrever vários e-mails pra várias pessoas;
- Dar um super gás no TCC;
- Reiniciar as buscas por um novo emprego;
- Aprender a usar o tempo livre.
Escrito por Vivian Makia às 21h47
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The Logical Song
Quinta-feira, trânsito na Radial Leste. Eu, Vivi-Móvel, o rádio e meus pensamentos. Em meio ao tédio da primeira-segunda marcha, comecei a brincar de regressão.
Entrei na máquina do tempo e fui parar em junho de 2004, quando eu estava quase na mesma situação de agora - mudando de trabalho, enviando currículos, torcendo pra ser chamada e aprovada. Três anos antes eu corria para terminar meu primeiro semestre na escola de inglês: tensa, mas cheia de experiências ótimas. No meio de 2000 eu prestava Hotelaria e nem poderia imaginar que entraria na PUC dois anos depois, na segunda tentativa após seis meses no limbo do cursinho. Fui a penúltima bixete do matutino em 2002 e ainda lembro do meu primeiro dia: P76 apinhada de gente em seus degraus, os meninos de cabeça raspada. Era aula do Troyjo e ele pedia pra definir Política em uma palavra. Para o Diogo, política era jogo, para Isabel era arte e pra mim era um absurdo o professor me escolher justo no momento em que eu me sentia a mais deslocada das criaturas (persuasão foi a palavra que me ocorreu e que foi parar na lousa junto com tantas outras)!!
Voltei a junho de 2005 num piscar de olhos. Pensei nos poucos alunos que restaram do matutino, e tenho certeza de que estamos todos em um momento muito louco – a encruzilhada, nas palavras sempre sábias da Marabini. O meu sonho de diplomacia ficou pra trás há tempos, e talvez tenha dado lugar a outras utopias. O fato é que o alívio em sair do emprego (?) atual tem sido suficiente para eu não me preocupar tanto com o sério risco de ficar sem trabalho. Tenho o privilégio de poder buscar o que me instiga e faz sentido pra mim – então eu vou respirar fundo e seguir em frente, oras! Mesmo assim, é muito louca essa vontade de largar tudo e sair do país ou do planeta em busca de algo novo antes que o ciclo termine e as coisas se tornem sérias de verdade.
Depois da breve passagem pelo túnel do tempo, o rádio tocava Supertramp e assim a Canção Lógica se tornou a trilha sonora perfeita naquela linda tarde de quinta-feira: meu pensamento absorveu a mensagem sobre as mudanças e o preço que se paga (ou não) por elas. Conheço muito bem as tais perguntas difíceis que rondam enquanto todos dormem, mas não lamento pelo mundo maravilhoso que ficou pra trás, apesar dos riscos do cinismo prático que a gente aprende pra se enquadrar e se esquecer de questionar.
ps- voltei mais rápido do que imaginava.
Escrito por Vivian Makia às 03h15
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EM OBRAS
Blog temporariamente paralisado para eu executar meus planos infalíveis e absorver efeitos de mudanças. Tenho mil idéias para mil posts, mas tenho que priorizar outras coisas agora - e largar esse blog é chato, mas vai ser uma pausa breve. 
Escrito por Vivian Makia às 08h27
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Miopia!
Do flerte ao bote, tudo pode acontecer...
De longe ele parecia tão desencanado! Blasé e charmoso, andava pra lá e pra cá no ritmo da batida que vinha do palco.
“Pessoa interessante. Mas ele sequer olha pra mim! Ah, então deixa pra lá.”
Mesmo assim ela prestava atenção no cara, que continuou ignorando sua presença.
Pouco antes de ir embora, a mocinha não resistiu: se encheu de coragem, arranjou uma desculpa esfarrapada e foi conversar com o rapaz.
De perto, o ar blasé deu lugar a uma doçura que escondia uma habilidade incrível de desarmá-la de seu cinismo habitual.
As três conversavam num canto daquele lugar lotado, tentando desconsiderar a mesmice do público e do ambiente.
Em meio à confusão, ele passa perto do grupo.
- Que bonito! Vocês viram? Ele tem cara de indiano!
- Onde?
- Passou pra lá. Vem voltando agora, presta atenção.
Ele passa novamente por elas e lança um olhar 43.
- Ai, que vergonha, bem na hora em que eu olhei, ele me olhou também.
Não demorou muito o cara puxou uma cadeira e começou a falar do preço do seu par de tênis, do trabalho na empresa européia, da sua vida de atleta urbano, dos rachas e de suas viagens (inclusive sobre a vez em que foi à Índia).
De longe ele parecia bonito e interessante. De perto se revelou raso e desarticulado. Um menininho perdido. Mesmo assim uma das três o acompanhou até a pista.
Todos os dias eles estavam no mesmo lugar. A mesma fila, os mesmos corredores, as salas vizinhas, conhecidos comuns.
Um sequer sabia o nome do outro. Até que um dia ele olhou para ela com um sorriso simpático e absolutamente desprovido de segundas intenções. No mesmo dia ela aprendeu o nome dele, e as coisas nunca mais foram as mesmas.
De longe ele era só mais um na multidão da rotina. De perto ele era uma incógnita, mas era misteriosamente inteligível pra ela. E ela chegou tão perto a ponto de não poder se aproximar mais.
Escrito por Vivian Makia às 02h05
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Foram apresentados naquele dia. Ele se aproximou dela enquanto as outras pessoas se arranjavam pelos cantos.
Os dois curtiram juntos a música e a escuridão. E no fim da noite a satisfação era maior do que o cheiro de encrenca no ar.
Logo ela se veria numa das pontas de um suposto triângulo amoroso (e na ponta de um iceberg). A madrugada foi longa, a manhã se arrastou barulhenta e o fim da tarde foi um alívio. Sucederam-se o arrependimento, o mal-estar e o silêncio. Mas no final cada um dos três se resolveu à sua maneira, nos rumos das paranóias ou da sensatez.
De longe ele era o mocinho atencioso que surgira no momento certo. De perto ele se revelou muito desinteressante e limitado (chega a ser inacreditável).
Ela, por sua vez, se tornou cada vez mais inteligente e fascinante aos olhos dele – e ela é espirituosa o suficiente para rir do aspecto trágico da situação.
Do nada ele surgiu e começou a conversar com ela. Falaram sobre mil coisas, como se fossem velhos conhecidos.
Ele ligou no dia seguinte aos primeiros beijos. Encontraram-se outras vezes e tudo parecia muito bom, mas era muito rápido. O pedido de namoro era natural pra ele e a velocidade dos acontecimentos o fez dissonante para ela, que o recusou.
De longe ela era atraente e encantadora. Quando ele chegou perto, ela escapou-lhe por entre os dedos. Ele nunca chegara realmente ao seu coração e ela não vai lhe dar a oportunidade.
Tamanha crueldade dói no coração que ele não alcança e que ela não compreende.
Escrito por Vivian Makia às 02h05
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A bagunça continua e esse blog vai criando teias.
A diferença é que rolou mais diversão nos últimos dias: churrasco no quartel general e Urbanão!! E logo mais eu cairei de pára-quedas no reduto dos motociclistas coroas e pirados de Sorocaba.
Enquanto isso, no cruel mundo acadêmico, Henrique V me dá o ultimato. Ando muito cansada da Pontifícia! O meu corpo (quando presente) se arrasta escada acima e acompanha a mente nos movimentos do autismo voluntário.
Uma nave espacial bem que podia me abduzir. E eu pediria para os ETs me implantarem um chip que garantisse a eficácia da certeza de que a carência é um fato, e não um argumento.
Meio de semestre é f***.
Escrito por Vivian Makia às 18h23
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Status: ultra mega busy!!
A saga da bagunça continua...trabalhos e provas, amigos precisando de ajuda, a chateação do trampo, as boas leituras que vão ficando de lado. Ironicamente, não estou sofrendo de escassez de idéias, mas falta tempo pra respirar fundo e iniciar o ritual da atualização (decente) desse blog querido.
Ainda quero arranjar tempo pra ver uns filmes expressionistas, ressuscitar as baladas, entrar no clima pra viagem breve e anedótica programada pra depois do dia das mães...e no outro sábado tem casamento e lá vou eu bancar a motorista. Fora o TCC e os esquemas da Comissão.
Eu e meu complexo de ameba...eu explicaria se não estivesse caindo de sono. Fica para o próximo post.
Escrito por Vivian Makia às 02h38
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Relatório do Feriado
Trilha sonora: Garbage 2.0
No carro, no quarto, no chuveiro.
Livro: O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder
Relendo o romance e absorvendo (de verdade) a História da Filosofia.
Filmes:
A Intérprete, de Sidney Pollack.
Suspense bem legal. Conspiração internacional! Até esqueci do cheiro de mofo do cinema.
Minha Vida Sem Mim, de Isabel Coixet.
Menos triste do que eu imaginava (o Mark Ruffalo está lindo).
Ninguém Pode Saber, de Hirokazu Koreeda.
Ótimo filme. Muito mais triste do que eu imaginava.
Colateral, de Michael Mann.
Diversão garantida sem compromisso, apesar de o final ser meio forçado (mas é triste também, porque o Mark Ruffalo morre).
Cardápio: Pizza, pipoca, Bis de laranja, água e chá de erva cidreira.
Gastei todas as calorias filosofando e pensando num texto decente pra esse blog.
Balanço final: um monte de textos não lidos e uma bagunça enorme pra arrumar. E nesse caso, talvez Aristóteles possa me ajudar muito mais do que Platão.
Escrito por Vivian Makia às 17h51
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Pé de Pano
Buraco na calçada + salto alto = inflamação no tendão. Antiinflamatório por 7 dias, 5 sessões de fisioterapia e imobilização até segunda-feira.
Provavelmente foi na quarta-feira, mas a dor e o inchaço só vieram dois dias depois (e ainda tem gente que não acredita quando eu digo que sou retardada).
Sol escaldante do meio-dia na última sexta-feira e eu sentada na cadeira de rodas, sendo empurrada até o carro pelo homem de branco. Bela cena! O profissional da saúde desviou habilmente dos buracos da calçada, exatamente da maneira que eu não fizera dias atrás.
Não é nada sério. Mas é muito chato ficar mancando de um lado pro outro, arrastando o peso desse pé de múmia pela casa. Se eu resolvo me arriscar e sair pulando, chego mais rápido, mas me canso muito mais, apesar do meu preparo físico não ser dos piores. Lá vou eu, pulando no quintal, da cozinha à sala, procurando um apoio pra manter a perna descansada, ou embrulhando a coitada antes de entrar no banho - esta é a pior parte, a da água que não chega abaixo do joelho esquerdo!!
Mas até que não foi tão mal assim. Fiquei menos entediada do que imaginei que pudesse ficar: assisti filmes legais, adiantei minha eterna leitura da Clarice Lispector (quase enlouqueço de vez, mas tudo bem) e a companhia infalível do meu gato afastou qualquer sintoma de mau humor. E depois, ao invés de entalada, poderia estar engessada. Além disso, não tive que me ausentar de nenhuma super balada, e tampouco perdi algum lápis dentro da bota: confesso que uma das coisas que mais me afligiam era a possibilidade de uma coceira insuportável no meio da panturrilha!
Amanhã eu mesma vou desatar meu pé de pano. Ufa!
ps – Sob efeito do meu fim de semana de ócio criativo forçado, estou aqui pensando se no tal buraco havia uma lâmpada na qual morava um gênio português, que interpretou à sua maneira a necessidade de desacelerar que eu vinha sentindo há alguns dias. 
Escrito por Vivian Makia às 17h04
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