Super Poder (?)
Impressionante o que é a chamada intuição feminina. Há muitas maneiras nas quais ela se manifesta: um pensamento relâmpago debaixo do chuveiro, um insight ao volante, a luz da geladeira que ilumina alguma coisa dentro da tua cabeça...não há regra.
Parece muito legal isso, essa espécie de super poder. O problema é que a ferramenta não inclui manual de instruções.
Para fazer bom uso do mecanismo dado (a intuição feminina) apesar da falta de normas de funcionamento, na prática desenvolvemos um radar que não desliga nunca. Um radar muito louco, que detecta até o que não existe – na verdade isso é o que acontece na maioria das vezes. Para decodificar as informações colhidas pelo tal radar, é instituída então uma central de análise, especializada em dissecar fatos à procura da verdade essencial.
Essa é a explicação para a mania feminina de analisar tudo! Isso parte das tentativas contínuas de fazer bom uso do dispositivo de intuição com o qual fomos contempladas. Mas na maioria dos casos acabamos é complicando tudo mesmo, perdidas na parafernália criada pra dar suporte à nossa dificuldade em operar o sexto sentido.
Eu até diria que no fim substituímos a naturalidade e habilidade pela análise compulsiva do discurso, como se as palavras, ao invés de irem aos receptores auditivos, caíssem num buraco sem fundo, repleto de hipóteses mirabolantes:
- Como, “você escolhe aonde vamos”? O que ele quer dizer com isso?
- Ele quer dizer que prefere que você decida. E só!
- Não, não deve ser isso não...ai eu não entendo os homens!
E os coitados muito menos entendem a gente, porque no fim ninguém entende ninguém! Entendeu?
A conclusão a que eu chego é que intuição feminina funciona sim. O problema é que leva um tempo pra amadurecer. A plenitude é alcançada a partir da maternidade, especialmente quando as mulheres desenvolvem a habilidade de fazer previsão do tempo. Vai dizer que você nunca ouviu sua mãe dizer “não falei pra levar o guarda-chuva?” quando você chega ensopado em casa!
Enfim, essa é a forma mais eficiente de intuição feminina da qual tenho notícia. Mesmo assim ainda tento fazer bom uso da minha...e quem sabe um dia irei além de recomendar sábia e ameaçadoramente que meus filhos se agasalhem. Enquanto isso, vou tentando lidar com o meu radar maluco e a minha parafernália analítica, cheia de orgulho desse super poder que é o sexto sentido feminino!
Escrito por Escrito por Vivian Makia às 22h57
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