Migalhas de afeto
Quando alguma coisa, em algum lugar, decide que você vai se apaixonar, é como se o organismo entrasse numa dieta especial, que consiste basicamente nas chamadas migalhas de afeto.
Trata-se de algo muito simples: sabe quando ele passa e te dá um “oi” básico e impessoal, mas você fica feliz pelo resto do dia? Sabe quando ela te cumprimenta com um sorrisinho simpático e você pensa “meu, que puta brecha!”, mesmo que ela se comporte assim com todo mundo? Pois é, esses são exemplos clássicos de migalhas de afeto.
E tudo isso é muito natural. Acontece com todo mundo, o tempo todo.
O problema é quando você cai na bobagem de se empanturrar das migalhas. O efeito desastroso é a obesidade platônica.
Obesidade platônica é a falta de ação decorrente da alta ingestão de migalhas de afeto. Traduzindo (já que hoje eu resolvi viajar grandão): você acaba se dando por satisfeito com as ilusões que criou e não parte para a ação. É o célebre amor platônico. Ou seja, você cultiva lindos sentimentos dos quais a pessoa em questão jamais ouviu falar. E a tendência infelizmente é que a pessoa nunca fique sabendo.
Porém a ingestão das migalhas é inevitável, pois faz parte do encanto que os outros podem exercer sobre nós e vice-versa , além de serem parâmetros para a ação.
Isso mesmo: AÇÃO! Afinal, falta de atitude gera desperdício – de afeto e de tempo.
Portanto, as migalhas de afeto deveriam ser como aperitivos.O banquete só vai rolar se alguém for pra cozinha, pra descascar as cebolas, esperar o molho apurar, fazer doce...só prova dos sabores quem sai em busca deles, mesmo que o final resulte numa baita indigestão. Mas sofrer indigestão ainda é melhor do que cultivar obesidade platônica.
dedicado à Consultoria Sentimental “Faça o que eu digo e não o que eu faço”
e seus Almoços Filosóficos.
Escrito por Escrito por Vivian Makia às 20h24
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