O passado não é um continente a muitas léguas de distância. Porém ao olhar para trás não posso mais reconhecer o que eu vejo hoje.
O passado dá sabor familiar a todas as manhãs, quando o sol bate de leve acompanhado de uma brisa suave. O passado ensinou muito; caso contrário ele volta numa monótona reprise. O passado se lê nas cartas, se revela em fotos e fala por frases banais.
Ao olhar pra trás, as meninas acenam pra mim. As meninas e seus garotos, suas crises, seus complexos, suas alegrias, elas sempre de mãos dadas, às gargalhadas ou quase às lágrimas. Quanta beleza presente em seus rostos juvenis, quantas ilusões e quantos sonhos.
O tempo não matou os sonhos. Não trouxe amargura. As meninas eram flores, hoje vão tornando-se frutos: saborosos, doces, ácidos, secos. Quem pode dizer?
Mulheres-fruto, eternamente guardarão sua forma de flor. Por seus próprios caminhos cumprirão seu papel inevitável de semeadoras. Suas mãos não mais se dão, mas os laços verdadeiros não se desfizeram e permanecem a atar seus corações generosos.
Não seremos mais meninas como antes, mas permaneceremos encantadoras, a embriagar o planeta com nosso perfume. Não nos abrigaremos mais nos bandos, porém nunca estaremos sozinhas. Não nos alimentaremos mais de ilusões, mas sonharemos cada vez mais alto - porque podemos voar cada vez mais alto.
Caminharemos. E vamos seguindo adiante sem saudade. O passado não mudará. Segue a metamorfose e tanta emoção o momento traz! Seguiremos, saciando nossa fome com o alimento da plenitude. Todas nós, não mais meninas, mulheres feitas ou iminentes, ou criaturas eternamente híbridas, ansiosas por voar.