A Pipa
Quando eu era criança, acreditava que as salsichas nasciam no brejo. E na primeira vez que ouvi falar da Academia Brasileira de Letras, imaginei as letrinhas fazendo alongamento e polichinelo.
Então eu cresci (não muito, é verdade), e descobri que a planta no brejo é chamada taboa, e nada tem a ver com as salsichas. E hoje, quando ouço falar da ABL, penso num bando de senhores simpáticos tomando mais chá do que contribuindo para o efetivo fomento da literatura brasileira.
A imaginação é o brinquedo mais precioso que se pode ter. E, como todo brinquedo, conforme o tempo passa a tendência é que fique jogado num canto, empoeirado e esquecido. Porém, muitas pessoas o carregam debaixo do braço ao longo da vida.
Esses adultos possuem sérias tendências escapistas. Não podem ver uma janela aberta na sala de reunião que já se penduram nas árvores lá fora, enquanto ouvem de longe a voz do chefe num discurso inflamado - e eis que de repente caem do galho, que se rompe quando o mesmo chefe lhes pede uma “posição perante o problema”. A imaginação dispara nesses momentos de tédio, barulhenta e inconveniente.
Lauren Bacall disse que“a imaginação é a pipa que se pode empinar mais alto.” Felizes são aqueles que conseguem domar a imaginação e ganhar dinheiro com a brincadeira. Roteiristas de toda espécie, atores, escritores, essa gente vive em crise mas pode dar mais vazão à criatividade do que o restante das pessoas.
E o que faz o restante das pessoas, que não ganham nada além do riso alheio e diagnósticos de falta de parafusos na cabeça?
Empinam a pipa, mesmo que ela fique batendo no teto da sala de aula enquanto se escreve um post sobre a imaginação na maravilhosa aula de Política Interamericana...
ps- Sakamoto, valeu pela Consultoria Bloguística!!!
Escrito por Escrito por Vivian Makia às 00h14
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