Volatil


 *** Reflexão de Natal ***

(mais uma)

 

Quase Natal e eu me perguntando qual o sentido desse trânsito caótico, das compras alucinadas, das retrospectivas, dos balanços. E nenhuma resposta me convence de que a nóia não é inerente ao ser humano.

 

Sim, eu já fui criança até pouco tempo atrás e me emocionavam as luzinhas piscantes, as canções natalinas e os anjos pendurados nas paisagens européias.

 

Hoje não faz mais sentido guardar tanta emoção para os últimos dias do ano, pois os dias são iguais mas não se repetem. Já não faz mais sentido esperar o grande momento de abrir os presentes à espera sob a árvore, porque o acaso ri da cara da gente e nada vem de graça.

 



Escrito por Escrito por Vivian Makia às 17h45
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Pode até soar niilista, mas não é para tanto. Poliana sorri e acha muito legal renunciar a essa alegria forçada do natal para compreender que todo dia a vida chama com urgência, e não apenas na suposta solidariedade e confraternização de todo dezembro.

 

Não briguei com ninguém, nenhuma depressão típica de fim de festa me afetou, e tampouco estou com alguma espécie de alergia ao iminente contato familiar. Eu agradeço todos os e-mails, scraps e cartões e a sinceridade dos votos de feliz natal e próspero ano novo...mas acontece que não sou mais criança e não posso evitar encarar as coisas com uma certa visão de raio-x. Feliz ou infelizmente, eu desconfio da inércia e o espírito natalino não é generoso o suficiente para me poupar dos meus pensamentos voláteis.

 

 ***



Escrito por Escrito por Vivian Makia às 17h44
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solipcista (adj.); foi só ouvir o termo do outro lado do telefone para a nova palavra ficar ecoando numa melodia engraçada dentro dos ouvidos.

Logo imaginei um alguém no alto do Everest, observando o mundo do topo de seu nariz empinado. Inatingível e atento, cuspindo na cabeça de quem está lá em baixo.

A palavra bonita aponta para uma condição desoladora. O egocentrismo parece natural e é até divertido; mas o solipcismo deve ser muito triste. Enquanto no primeiro se corre no máximo o risco de cair da nuvem, quebrar a máscara e ficar ridículo, no segundo caso se resolve ir morar num B612 onde são cultivados espinhos sem rosa - espinhos que inutilmente pretendem afastar a realidade das complicações naturais.

O adjetivo é forte e rico em significado. E contraditoriamente descreve o indivíduo fraco e miserável por não saber dividir em razão do pavor de olhar pra si mesmo.

 

O impulso do espírito aventureiro cogitou enviar um foguete amistoso ao B612. Mas foi comprovado, com algum pesar, que a viagem não compensa o risco.

  

*O blog highlander volta às suas filosofadas baratas e metáforas suspeitas

 



Escrito por Escrito por Vivian Makia às 17h43
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