Volatil


Pra quem ficou meio impressionado com a escuridão do último texto, quero dizer que estou viva e sem cicatrizes nos pulsos ou lembranças de lavagem estomacal- ou seja, a melancolia se foi, mas o exagero ficou.

Dessa vez o blog ficou abandonado não por falta de inspiração, mas por sobrecarga de pensamentos. E pra espanar as teias do pobre Volátil, estou deixando dois posts: esse aqui, porque eu não podia perder a oportunidade de comemorar o fim do inferno astral e o seguinte, que é mais um capítulo das célebres filosofadas. Tem um gostinho de “mais do mesmo de sempre”, mas deu trabalho. Paula Andrade que o diga! Grazie amica!

Ainda sobre o texto seguinte: depois de escreve-lo (e pensar mais um pouco), cheguei à conclusão de que também não sei o que eu quero, e de que isso não é importante. Tanto que, dentre as tantas perguntas que me martelam, essa é a última da fila (cada vez mais longa, por sinal). Continuo gostando de tanta coisa, ainda me desagradam tantas outras, e principalmente mudo de idéia muito rápido e adoro cada vez mais essa imprevisibilidade que não é minha, mas da vida e do mundo. E é nesse barco que eu estou, oras! O movimento é contínuo e o fim é a única certeza – e isso é tão óbvio quanto irrelevante.

Clichês me perseguem, mas dessa vez são eles é que estão acordando o Volátil pra vida, de novo.  



Escrito por Escrito por Vivian Makia às 16h20
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Lugares comuns

 

O mote desse texto saiu das manjadas conversas filosóficas do Clube da Luluzinha. Tudo começou quando, em meio às habituais reclamações sobre o príncipe que demora a apontar no horizonte em seu cavalo branco, eu fiz questão de lembrar que nós, criaturas do gênero feminino existindo em pleno século XXI, temos uma grande vantagem sobre as donzelas medievais (além da água encanada, da pasta de dente, do jeans e do telefone): a liberdade de escolha!

 

Liberdade que é maravilhosa, mas não impune. Não é impune porque na mesma medida em que somos livres para escolher, somos também responsáveis pelas conseqüências.

 

O oposto da liberdade de escolha e a submissão, que proporciona o conforto do papel de vítima das circunstâncias. E isso é covardia! Dizer que tanto faz, esperar a iniciativa alheia e culpar os outros pela falta de atitude é muito mais fácil do que escolher, pois a escolha sempre exige algum tipo de renúncia. Por isso é que ainda existem tantas mocinhas românticas que vivem no alto da torre; se elas ficarem pra titia, a culpa é das Cruzadas, das bruxas malvadas, do dragão que transformou o príncipe em churrasco ou da incompatibilidade de signos.

 

Ok, mas como escolher se você não sabe o que quer? Sim, somos todos neuróticos e não sabemos o que queremos. Mas podemos escolher e é isso o que realmente importa!

 

Talvez o mais importante não seja exatamente saber o que eu quero, e sim aprender a escolher dentre as tantas opções e, principalmente, desenvolver cada vez mais a habilidade para arcar com o peso de todas as responsabilidades que elas implicam. E, além da consciência da responsabilidade é preciso, ao mesmo tempo, ser humilde o bastante pra compreender que muita coisa independe da força da vontade. Há coisas que apenas são e pronto, sem maniqueísmo. A resignação, desde que não seja precoce, é parte importante do processo (mas isso já é outra história e essa teoria não é minha).

 

A verdade é que não existe nada mais clichê do que falar de liberdade. Mas todo lugar-comum tem sua razão de ser: e a liberdade é o conceito para o qual se reservaram os mais belos fonemas nos infinitos idiomas; é o anseio de todo indivíduo entre quatro paredes ou no levantar de bandeiras. Frases de efeito e filosofias baratas à parte, o fato é que a liberdade é valiosa e dá trabalho do início ao fim. Mas compensa, sem dúvida!

 

Ah, e antes que alguém me entenda mal e que algum militante romântico chame a Inquisição, quero deixar bem claro que a historinha da torre é apenas um exemplo bobo. O exercício do papel de vítima é uma questão de gênero sim – do gênero humano. Eu mesma já morei na fortaleza, mas descobri que a vida lá fora, apesar das ciladas e dos perigos, é tão mais rica e emocionante que nem penso em voltar.

 

  



Escrito por Escrito por Vivian Makia às 15h42
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