Pé de Pano
Buraco na calçada + salto alto = inflamação no tendão. Antiinflamatório por 7 dias, 5 sessões de fisioterapia e imobilização até segunda-feira.
Provavelmente foi na quarta-feira, mas a dor e o inchaço só vieram dois dias depois (e ainda tem gente que não acredita quando eu digo que sou retardada).
Sol escaldante do meio-dia na última sexta-feira e eu sentada na cadeira de rodas, sendo empurrada até o carro pelo homem de branco. Bela cena! O profissional da saúde desviou habilmente dos buracos da calçada, exatamente da maneira que eu não fizera dias atrás.
Não é nada sério. Mas é muito chato ficar mancando de um lado pro outro, arrastando o peso desse pé de múmia pela casa. Se eu resolvo me arriscar e sair pulando, chego mais rápido, mas me canso muito mais, apesar do meu preparo físico não ser dos piores. Lá vou eu, pulando no quintal, da cozinha à sala, procurando um apoio pra manter a perna descansada, ou embrulhando a coitada antes de entrar no banho - esta é a pior parte, a da água que não chega abaixo do joelho esquerdo!!
Mas até que não foi tão mal assim. Fiquei menos entediada do que imaginei que pudesse ficar: assisti filmes legais, adiantei minha eterna leitura da Clarice Lispector (quase enlouqueço de vez, mas tudo bem) e a companhia infalível do meu gato afastou qualquer sintoma de mau humor. E depois, ao invés de entalada, poderia estar engessada. Além disso, não tive que me ausentar de nenhuma super balada, e tampouco perdi algum lápis dentro da bota: confesso que uma das coisas que mais me afligiam era a possibilidade de uma coceira insuportável no meio da panturrilha!
Amanhã eu mesma vou desatar meu pé de pano. Ufa!
ps – Sob efeito do meu fim de semana de ócio criativo forçado, estou aqui pensando se no tal buraco havia uma lâmpada na qual morava um gênio português, que interpretou à sua maneira a necessidade de desacelerar que eu vinha sentindo há alguns dias. 
Escrito por Vivian Makia às 17h04
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