Volatil


Pequeno exercício para o pequeno pensamento filosófico

 

Às vezes acho que já fui muito mais sonhadora. Eu continuo sonhando sim, mas hoje guardo os sonhos na estufa – deve ser por um certo medo de que eles se tornem maiores do que eu. Sonho, mas não me iludo. Ilusão é anestesia, é perda de tempo. O sonho é vital.

Às vezes vejo as pessoas tão amargas, pessimistas. O pessimismo anda de mãos dadas com uma coisa medíocre chamada simplismo. Muito fácil dizer que as coisas são ruins ao invés de sentir na pele o mal-estar da certeza de que a realidade é muito complexa pra caber em respostas exatas.

Esse incômodo é inerente à existência, por isso a vida é desafio. O conflito está dentro do coração, no pensamento que absorve as idéias que se cruzam no ar, na alma onde moram a luz e a escuridão. A vida é desafio, ainda mais se é vista através dos olhos da consciência – olhos que nunca se fecham e, fatigados, produzem imagens confusas. Mas existe uma espécie de teimosia que se alimenta dessa anarquia, que tem fascínio e curiosidade por toda essa guerra. Uma insistência, uma curiosidade infantil, que sofre de dor, mas não recua.

Eu sou teimosa e por isso me incomoda tanto quando ouço alguém maldizer a vida. Não, eu não sofri o que você sofreu; não, eu não sei como você está se sentindo. Sim, eu respeito sua amargura, mas não posso deixar de pensar que ela é passageira, porque a vida é mais generosa do que se imagina. A dificuldade é um momento, não é um lugar onde se escolhe morar até que algo de extraordinário aconteça. Maldizer o momento é diferente de maldizer todo o conjunto da vida.

 



Escrito por Vivian Makia às 00h04
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