Ócio Criativo
Há quanto tempo eu não sabia o que era tempo livre? Precisei até mesmo arrancar minha ética protestante da tomada e impedir o tédio de enfiar seu narizinho onde não foi chamado (tédio de mentira, tolo e automático).
O melhor do mês de julho é ver os amigos que se desencontram na correria das obrigações acadêmicas e profissionais: festas julhinas, baladinhas, aventuras do Vivi-Móvel, encontros na catraca do metrô, clube das Luluzinhas cínicas e sentimentais.
Passeio no shopping, cinema toda semana, livros de madrugada... Guardadas as devidas proporções, voltei aos 16 anos e ultimamente escrevo ouvindo Alanis e Tears for Fears. Minha grande responsabilidade é uma lição de casa que atende pelo nome de TCC e vai bem, obrigada (a passos de tartaruga, mas seguindo em frente). A plata dos freelas me dá uma certa tranqüilidade enquanto não começo a labutar novamente. Não estou falando de grandes fortunas, mas para quem se virava com a bolsa-auxílio do governo municipal está de bom tamanho.
Tenho lido muito. Terminei um Dostoievski em três dias, nem acredito! Depois tomei fôlego num romance espírita água com açúcar e clichê, que terminou antes que eu fizesse perguntas demais.
Aliás, Dostoievski consta na minha lista de sonhos de consumo. Quero levar os demônios, o idiota e os irmãos Karamazov pra morar na grande biblioteca. Na cozinha estará o fogão dos Jetsons e na garagem, a máquina de teletransporte. Os demais itens são um banheiro de pastilhas (só meu), um maine coon, um labrador amarelo e um lindo cavalo árabe.
Me parece razoável começar o projeto pela biblioteca.
Escrito por Vivian Makia às 21h59
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