Volatil


Sábado na Vila Olímpia

 

= Carros entupindo os quarteirões triangulares.

= Fila imensa na porta, de onde se observam os carros entupindo a rua.

= Menininhas de cabelo chapado, micro-saia (cinto) jeans e escarpim. O cinto apertado e o salto muito alto resultam em atentado à elegância e atestado de mau gosto.

= Meninos uniformizados. As camisetas justas substituíram as camisas listradas e as mangas arregaçadas de outrora. O gel pode ter dado lugar à pomada ou à cera, mas o cabelo espetado permanece clássico.

= Os respectivos causando para celebrar a recém-maioridade.

 

O que eu estava fazendo lá? Aniversário de uma amiga, que já estava dentro da balada. Enquanto isso o povo conversava na fila, dividindo espaço com as tiazinhas vendendo cigarro e chiclete e ao som do batidão estourado de um ou outro motorista exibido.

E eis que antes mesmo dos convidados passarem pela breve revista e abertura de bolsas, a aniversariante resolve sair do local. Que absurdo! R$7,00 por uma cerveja?! Ué, mas não estamos na Vila Olímpia?

Surge o dilema: para onde vamos agora? Pensei nos 10 reais deixados no estacionamento (dor no coração). Mas infelizmente a balada era a última da rua e estava bem distante das outras, sobretudo considerando-se a variável ESSDBCC (Equilíbrio Sobre o Salto Desviando dos Buracos da Calçada no Escuro), que para mim se tornou indispensável desde o episódio devidamente registrado em post anterior.

O propósito das tripulantes do Vivi-Móvel - dançar a noite toda - permanecia inabalável. Resolvemos ir até Pinheiros na tentativa de entrar em local X ou até mesmo ficar em outro pelo caminho. Mais dois carros decidiram tomar o mesmo rumo. Celulares incompetentes e pequeno desencontro e reencontro depois, chegamos à Rua dos Pinheiros. Demos de cara com um canteiro de obras e no fim paramos em lugar nenhum.

Nova conferência: o Corsa prata sugere irmos para Perdizes e assume a liderança do comboio. No caminho quase bati o carro e dei uma fechada federal num cara (que até agora deve estar xingando a minha bisavó por ter saído de Okinawa), tudo por conta da incapacidade das pessoas em sinalizar à direita ou à esquerda com alguma antecedência.

Finalmente chegamos no tal barzinho. A essas alturas casais já haviam brigado e os motoristas sentiam seus instintos assassinos aflorarem. Enquanto eu estacionava ao lado da lixeira de um prédio vi os companheiros de viagem dando de cara com o garçom informando o encerramento das atividades. Meu zen-budismo já estava em outra galáxia e então baixei o vidro e informei que estava abortando a missão. Juro que se alguém sugerisse qualquer outra coisa, eu atropelava com direito a marcha-ré.

Terminamos a noite na Bella Paulista, a Sra. Bono Vox, a Nova Cidadã Angrense e eu. Uma Bohemia e um colegial de creme e chocolate pra mim, por favor.

Sábado passado foi mais do que broxante: foi o Dia Internacional da Burrice. Como conhecedores do esquemão-Vila Olímpia, devíamos ter ficado onde estávamos, oras! Afinal tínhamos comparecido com o propósito de dançar, e não pra consumir. E depois a batidinha da Pri Lemon promoveria o esquenta na fila mesmo – nos pouparia inclusive as estratégias de contrabando, pois até chegarmos na porta sobrariam só o barato e a garrafa vazia.

É o óbvio ululante absoluto: ninguém merece a Vila Olímpia! E eu já sabia disso há tempos e por experiência própria. Depois desse sábado, nunca mais mesmo.

Eu não piso lá nem que o Marvin Gaye levante do túmulo e escolha uma casa da região para fazer uma única apresentação na América do Sul.



Escrito por Vivian Makia às 03h24
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